Entre Rios do Oeste inicia programa modelo para o mundo

Escrito por Imprensa POLOIGUASSU.

BIOGÁS

Município localizado no extremo-oeste do Paraná irá produzir sua própria energia, totalmente limpa e renovável

 
Viabilizar o saneamento ambiental por meio da produção de energia renovável gerada a
partir do biogás. Este é o desafio de um programa inédito que está sendo desenvolvido
em Entre Rios do Oeste, município localizado no extremo-oeste do Paraná, que conta
com uma particularidade que está chamando a atenção: cerca de 4 mil moradores e mais
de 120 mil suínos.
Essa disparidade identificada na cidade de pequeno porte, que apresenta grande
potencial de poluição que vem da atividade pecuária forte, está gerando quantidade
expressiva de dejetos, sem que haja a melhor destinação. Esses dejetos, quando não
tratados de maneira adequada, podem gerar contaminação dos solos e das águas,
proliferação de algas no reservatório e a produção de gases do efeito estufa. Outra
problemática é que a cidade não conta com a coleta de esgoto. Dados apontam que 75%
das residências contam com fossas rudimentares e 25% com fossas sépticas.
 
A iniciativa de transformar esse passivo ambiental em oportunidade de
desenvolvimento está sendo possível devido ao empenho do assessor de Energias
Renováveis da Itaipu Binacional, Cícero Bley Júnior e do prefeito de Entre Rios do
Oeste, Elcio Zimmermann, ambos gestores do programa que teve a segunda fase das
atividades iniciada em junho deste ano. O desenvolvimento dos projetos que irão
garantir a Entre Rios do Oeste o saneamento ambiental energeticamente sustentável está
sendo realizado pela equipe de engenheiros da Agência de Desenvolvimento Regional
do Extremo Oeste do Paraná (ADEOP), coordenada pelo secretário executivo, Elsidio
Cavalcante. Todas as ações contam com o apoio do Parque Tecnológico Itaipu (PTI) e
da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI).
 
O primeiro passo, iniciado em dezembro de 2009, compreendeu o diagnóstico do
potencial energético voltado à produção de energias renováveis do município e a
elaboração de estudos de viabilidade de aplicação. Nesta segunda fase, a equipe está
detalhando as propostas do programa que irá sanar o passivo ambiental da suinocultura,
a partir da implantação de biodigestores em 102 granjas de suínos.
 
O biogás produzido nas propriedades será transportado através de tubulação de
polietileno de alta densidade (gasoduto) até uma central de aproveitamento do biogás.
Nesse espaço o biogás poderá ser convertido em energia térmica, elétrica e em Gás
Natural Renovável (GNR) a ser utilizado para abastecer veículos automotores. Outros
 
usos previstos para o biogás incluem a distribuição nas residências, como forma de
substituição do gás de cozinha e a substituição da lenha utilizada na secagem de grãos.
Na área urbana, o programa prevê a implantação da rede coletora de esgoto.
 
O tratamento do esgoto doméstico será integrado ao dos resíduos sólidos, por meio de uma
estação de tratamento que também produzirá biogás.
“O nosso diferencial para o mundo é que vamos produzir a nossa própria energia,
totalmente limpa e renovável, e, ao mesmo tempo, estaremos promovendo a melhoria da
qualidade de vida no campo e na cidade”, ressaltou o prefeito de Entre Rios do Oeste ao
reforçar que uma preocupação do projeto é que ele saia custo zero para o produtor.
 
Prazos
Todos os projetos serão concluídos até julho de 2012. Segundo o secretário executivo
da ADEOP, Elsidio Cavalcante, isso não impede que os projetos finalizados sejam
implantados a partir dos recursos captados ao longo do período.
 
Utilização do biogás gerado no município
 
A equipe de engenheiros da ADEOP levantou que o potencial de produção de biogás do
município é de 6.760.150,2 m³/ano.
A utilização do biogás para suprir a demanda de energia térmica e elétrica do Paço
Municipal de Entre Rios do Oeste, da Cerâmica Stein e da Fábrica de Ração da
Copagril consumiria 3.107.019 m³/ano de biogás. A economia gerada pela utilização
de energia elétrica produzida a partir do biogás chegaria a R$ 385.424,67 por ano.
 
O excedente, de 3.653.313,2 m³/ano, poderá ser utilizado para abastecer as residências
com a substituição do gás de cozinha, utilização nas propriedades rurais e para abastecer
veículos automotores.